Paul diz que eu acho os japoneses bonitinhos (especialmente as crianças) porque eu não entendo o que eles falam. Pode até ser, mas não imagino a cena que vivi ontem em outro lugar do mundo:
Estávamos voltando para casa e vi uma mãe descendo as escadas da estação carregando nos braços uma sacola pesada, a bolsa e o filho, que devia ter uns 2 ou 3 anos de idade. Prontamente, pedi licença e me ofereci para carregar a sacola. A cara dela foi de "não acredito!", mas não hesitou em me passar a sacola.
Quando chegamos ao final da escada (que não era rolante), eu dei a sacola para ela e me despedi. Dessa estação para minha casa são uns 10 minutos andando, estávamos no meio do caminho quando ouvi uma pessoa na bicicleta pedir licença. Nos movemos para um dos lados da calçada para que ela passasse. Só que ela não queria passar, era a mãe que ajudei na estação. Ela queria apenas me dar um pacotinho de chocolate que tinha comprado no passeio com o filho. Eu disse que não precisa, mas ela insistiu: oishiii! (gostoso, em japonês). Achei que seria super indelicado de minha parte não aceitar.
Atravessamos a rua e quando me virei, ela tinha desaparecido. Paul acha que ela nos seguiu só para agradecer novamente e entregar os chocolates. Me digam: é ou não coisa de outro mundo? Por essas e outras, eu acho SIM os japoneses bonitinhos!
PS: A foto que ilustra esse post foi tirada com meu antigo celular, por isso a qualidade não é nenhuma Brastemp, mas eu gosto dela assim mesmo! =)
04 May 2008
Salve simpatia!
14 April 2008
Coisas do Japão...
Tem cenas do cotidiano aqui no Japão que não consigo visualizar em outros lugares. Hoje estávamos no trem e à nossa frente estava um casal com dois filhos. O menor devia ter pouco mais de um ano de idade e, claro, queria ficar de pé no banco e olhar pela janela do trem. O pai não teve dúvida ao garantir a realização do desejo do filho, mas, antes, tirou os sapatos do menino.
O respeito pelo outro aqui é grande. Basta lembrar que as pessoas usam máscaras quando estão doentes para não contaminar os outros (como já citei em outro post).
Nessas horas fico pensando que se cada um fizesse sua parte, o mundo seria um lugar bem melhor para se viver...
23 March 2008
Páscoa? Semana Santa?
Quem não frequenta os supermercados internacionais ou as poucas lojas de produtos brasileiros aqui em Tóquio pode nem lembrar que hoje é Domingo de Páscoa. Lembrei por três motivos:
1) Meu pai me mandou um email com a programação dele e do meu irmão para a Semana Santa. Eu respondi o email perguntando quando era porque não está nem marcado no calendário que temos aqui em casa e eu não fazia idéia de quando era (também estava com preguiça de procurar na internet);
2) Paul me perguntou se eu queria ganhar ovo de Páscoa esse ano (claro que sim, oras!);
3) Li um matéria sobre como os brasileiros celebram a Páscoa no Japão.
Bem lembrada da data, portanto, fui hoje ao supermercado internacional e comprei três ovos da Garoto (mais brasileira impossível!): dois para dar de presente a duas pessoas bem queridas lá da escola e um para mim (presente do Paul). Também comprei um saco com ovinhos pequenos para distribuir com os demais professores. Paul optou por chocolates em barra da Nova Zelândia. Cada qual com seu cada qual, não é?
É engraçado pensar que aqui nem se fala no assunto, mas precisamos lembrar que no Japão a porcetagem de cristãos é muito baixa - a maioria dos japoneses é budista ou xintoísta. Aliás, umas das vendedoras do supermercado me perguntou porque eu estava comprando aqueles chocolates. Aí, expliquei para ela que hoje é Domingo de Páscoa, uma data importante no calendário cristão, e que tem entre suas tradições a de distribuir ovos de chocolates. Ela sorriu e agradeceu pela explicação.
Imagino que outros japoneses também não façam idéia do que seja Páscoa ou Semana Santa. E sendo bem honesta, acho que muitos brasileiros também não.
14 March 2008
Socorrrooooo!
Fui essa semana pela primeira vez a um hospital público aqui em Tóquio. Fui acompanhar uma amiga e, apesar de preocupada com a saúde dela, estava, confesso, curiosíssima para conhecer o ambiente. Não, não tenho especial interesse por hospitais, mas era uma experiência nova e sou curiosa por natureza.
Honestamente, não tem muita diferença do Hospital da Restauração (maior emergência de Pernambuco). Claro que não tem a mesma multidão aguardando atendimento, mas o tratamento aos pacientes é praticamente o mesmo. Para começar, eles não têm leitos para as pessoas que estão aguardando atendimento, então, aqueles que estão em estado crítico, e não se aguentam em pé, deitam nos bancos da recepção mesmo.
Além disso, não tem um esquema de atendimento imediato. Uma moça chegou com um corte na cabeça e ficou sangrando ali mesmo, enquanto alguém preenchia a ficha dela. Após uns cinco minutos, uma enfermeira chegou e colocou uma faixa no corte para tentar parar a hemorragia, mas ela aguardou para ver o médico sentadinha do nosso lado por uns 20 minutos ou mais.
Minha amiga não teve muito do que reclamar. Quando chegamos, um enfermeiro se esforçou bastante para se comunicar com a gente em inglês. Sentamos na área da recepção e ele pediu para ela colocar um termômetro embaixo do braço. Só então, finalmente, perguntou o motivo dela ter procurado o hospital. Ela foi vista pelo médico, que fez algumas perguntas e testes.
Duas horas e meia depois, saímos de lá com o diagnóstico e os remédios. Minha amiga não tem plano de saúde, portanto, teve que pagar 29,700 ienes pela consulta, exames e remédios (mais ou menos 512 reais). Se ela tivesse o plano público, que eu tenho, o governo japonês arcaria com 70% dos custos e a visita ao hospital teria custado a ela 8,910 ienes (153 reais) - uma diferença e tanto!
01 March 2008
Novo espaço
Estou suspirando de alegria desde ontem, quando recebi a edição da revista Alternativa com a minha primeira coluna publicada. Ganhei de presente do Ewerthon, que é editor da publicação, um espaço só meu para falar sobre os livros que leio.
Não é uma coluna de críticas. A idéia é comentar as impressões que tive de cada obra, mas sempre tentando estimular os brasileiros a ler ou, pelo menos, gerar a curiosidade sobre aquele título, tema ou autor (a). Justamente daí veio minha inspiração para o nome da coluna: Impressões.
O danadinho do Ewerthon não me contou que minha foto sairia na capa da revista. Paul disse que quando pegou o exemplar na nossa caixa do correio, leio um susto. Primeiro se sentiu traído por eu não ter comentado nada com ele (tadinho!), depois ficou cheio de orgulho, êta maridão! Eu não sabia de nada e também quase caí dura. Agora eu entendo o fato do Ewerthon ter me ligado na quarta e na sexta perguntando se eu já tinha recebido a revista. O pestinha estava curioso para saber minha reação!
Falando um pouco da revista, a Alternativa é uma publicação gratuita, direcionada aos brasileiros no Japão. A revista é publicada quinzenalmente e, além do Ewerthon, tem também no seu time a Karina - com quem trabalhei no jornal International Press. Estou, praticamente, em casa, não é? =)
21 February 2008
Respeito ao consumidor I e II
Caso I:
Recebemos essa semana a visita de um técnico da companhia de água e esgoto de Tóquio. Não vou entar na parte que ele precisou vir duas vezes porque eu não conseguia se comunicar porque não é essa a questão. O fato é que nosso consumo de água aumentou, o que, lógico, acarretou na elevação da nossa conta.
A empresa, atenta à essa mudança de comportamento, mandou o técnico aqui para verificar se não estava havendo algum tipo de vazemento nos canos do nosso apartamento - antes de mandar a nova conta com o aumento. Eles queriam se certificar se realmente estávamos consumindo mais, antes de, simplesmente, mandar a conta com o aumento - que nem é tão significativo assim. Meu queixo quase caiu!
Caso II:
Fui hoje na academia cancelar minha inscrição. Eu descobri o percurso de casa para o trabalho de bicicleta e essa será minha atividade física de agora em diante. O processo foi simples e não demorou nem 20 minutos. Eu já estava de saída quando o rapaz pediu que eu esperasse. Eu tinha pago para utilizar um armário durante seis meses, onde eu mantinha meu tênis e duas bolsas com produtos para o banho e pós-banho.
A academia, diferente da que eu tinha frequentando anteriormente, me reembolsou pelo período que não vou utilizar o espaço. Como não faz muito tempo que solicitei o serviço, eu, praticamente, recebi de volta tudo que paguei. Nem acreditei. E ainda ganhei um vale-desconto. Seu voltar para a mesma academia até agosto, vou ter um desconto de 2,100 ienes na matrícula.
Fazia tempo que não me sentia tão respeita enquanto consumidora! =)
18 February 2008
Guerra contra a gripe!
Cansada desse ciclo gripe-bronquite-sinusite-resfriado-gripe que já dura quase dois meses, hoje eu fui à luta, ou melhor, fui às compras! Tinha em mente duas coisas: o vaporizador Vick e algum remédio para aliviar os sintomas da gripe: dor de cabeça, nariz escorrendo etc e tal.
Vale lembrar aos leitores que não falo ou leio japonês. Portanto, qualquer remédio que eu compre tem que ter desenhos ou alguma explicação em inglês. Em geral, sempre encontro algo com essas "especificações" porque os japoneses são uns gênios na arte de vender, mesmo que seja apenas medicamentos.
Aproveitei o fato de que estou de férias essa semana e que podia passar algum tempo na farmácia, para dar uma olhada na sessão dedicada aos remédios para gripe. Pois é, essa época do ano é fatal para muitos - não apenas essa que vos escreve!
Na farmácia onde fui não tinha o vaporizador, mas eu já tinha visto em uma loja próxima e fui lá comprá-lo. Custou 4,900 ienes (mais ou menos 79 reais). Não achei tão caro, considerando que essa gripe já me custou zilhões, incluindo médico, exames, tratamento etc e etc.
Depois, voltei na farmácia para comprar o remédio que alivia dor de cabeça, diminui a tosse e faz o nariz parar de escorrer, e deve ser tomado de manhã, de tarde e antes de dormir - tudo isso ilustrado na embalagem.
Já estava quase de saída quando vi algo sensacional: um lavador de nariz. De acordo com as instruções, você coloca o líquido no tubo, esguicha no nariz e, em seguida, cospe o líquido pela boca. O processo parece nojento, mas não é. Achei que teria problemas durante o procedimento porque sou meio descordenada, mas foi super simples. Resultado: o nariz fica desbloqueado por algumas horas e você volta a respirar como um ser humano.
Com esse "kit gripe", espero estar bem melhor amanhã. Quero muito aproveitar esses dias de folga para resolver umas coisas, rever amigos, ir para academia e voltar a levar uma vida normal, o que inclui retomar minha dieta. Prometo mantê-los atualizados, viu pai?!? =)
